A deflagração da Operação Erga Omnis pela Polícia Civil do Amazonas (PCAM), na manhã desta sexta-feira (20), atingiu o que investigadores classificam como núcleo político ligado ao Comando Vermelho no estado. Para o deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM), a ação apenas confirma denúncias que ele vem fazendo desde o período em que era vereador em Manaus.
“Desde o meu primeiro mandato eu alerto para indícios de infiltração nas estruturas administrativas. O que está vindo à tona agora mostra que o problema era mais profundo do que muitos queriam admitir. Essa operação não começa hoje. Ela confirma algo que denunciamos há anos: o crime organizado não tenta ocupar só território, ele tenta ocupar espaço dentro do poder público”, afirmou o parlamentar.
Ainda como vereador, Amom apresentou denúncias sobre possíveis conexões entre grupos criminosos e estruturas da administração municipal. Já como deputado federal, sistematizou informações em um dossiê que apontava indícios de envolvimento de facções com contratos e decisões administrativas da Prefeitura de Manaus. O material foi entregue à Polícia Federal e a órgãos de controle.
Entre os nomes citados em investigações que vieram a público nesta sexta-feira está o de Anabela Cardoso de Freitas, apontada como pessoa de extrema confiança do prefeito David Almeida e indicada por ele para integrar comissão de licitação responsável por aprovar pagamentos de serviços municipais.
Outro nome que aparece no contexto das apurações é o de Alcir Queiroga Teixeira Júnior, empresário e proprietário da A.K. Agência de Viagens e Operadora de Turismo Ltda (Revoar Turismo), empresa que emitiu comprovantes de passagens do prefeito e da primeira-dama ao Caribe, documento apresentado ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) durante investigação sobre possível custeio da viagem por empresários com contratos com a prefeitura.
Reportagens nacionais já haviam repercutido relatórios que indicavam supostas alianças políticas com o Comando Vermelho no Amazonas e a existência de uma estrutura que envolvia empresas de fachada, colaboração de servidores públicos e acesso a informações sigilosas para favorecer o tráfico de drogas no estado.
Para Amom, a Operação Erga Omnis representa o início de um longo processo para desarticular o crime organizado que cria tentáculos em várias instâncias de poder. O deputado reforçou que seguirá acompanhando o caso e cobrando transparência nas investigações.
“Quando há indício grave, não pode existir blindagem política. O combate ao crime organizado não se faz apenas com operação policial. Se faz fechando as portas da política para qualquer tipo de infiltração. Quem ocupa cargo público precisa ter compromisso absoluto com a legalidade. A sociedade amazonense merece instituições limpas, transparentes e independentes”, concluiu o deputado.