Após vazamento de estireno levar 107 pessoas a unidades de saúde, Amom cobra respostas de órgãos estaduais

Deputado exige explicações sobre alertas, monitoramento do ar, atendimento às pessoas expostas e capacidade do Estado para enfrentar emergências químicas

Manaus/AM- O deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) encaminhou ofícios à Defesa Civil do Amazonas, à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e ao Corpo de Bombeiros Militar cobrando informações detalhadas sobre as providências adotadas diante do vazamento de estireno registrado na quarta-feira (15), no Distrito Industrial de Manaus.

A fiscalização busca esclarecer a cronologia da atuação de cada órgão, as medidas de resposta e proteção à população, os procedimentos de apuração eventualmente instaurados e a existência de possíveis falhas, atrasos, omissões ou insuficiências no preparo do Estado para enfrentar acidentes envolvendo substâncias químicas perigosas.

A emergência ocorreu na Unidade IV da Videolar-Innova, envolvendo um tanque de armazenamento de monômero de estireno. Segundo as informações reunidas nos ofícios, o produto sofreu uma elevação anormal de temperatura, desencadeando uma reação química e o aumento da pressão interna. As válvulas de segurança foram acionadas para liberar os vapores e impedir consequências mais graves, como a ruptura do reservatório, incêndio ou explosão.

Os efeitos ultrapassaram os limites da instalação industrial. O forte odor foi percebido em bairros das zonas Sul, Centro-Sul e Centro de Manaus, entre eles Japiim, Raiz, Petrópolis, Cachoeirinha, Praça 14, Betânia, Aparecida e Centro. Trabalhadores foram retirados de fábricas próximas, pelo menos 18 empresas interromperam suas atividades e unidades de ensino suspenderam as aulas preventivamente.

Até a atualização registrada nos documentos, 107 pessoas haviam procurado unidades públicas de saúde. Desse total, 104 receberam alta e três permaneciam internadas. Os pacientes apresentaram sintomas como irritação nos olhos e nas vias respiratórias, tontura, náusea e outros sinais compatíveis com a exposição ao produto.

Os ofícios também mencionam a morte de um homem de 67 anos que buscou atendimento após relatar exposição ao estireno. A SES-AM informou que ainda não há comprovação de relação entre o falecimento e a inalação da substância, uma vez que o paciente apresentava doença pulmonar crônica avançada, problemas cardíacos e outras comorbidades. O caso foi encaminhado para investigação.

“Mais de cem pessoas precisaram procurar atendimento, atividades econômicas e escolares foram suspensas e o produto chegou a diferentes bairros de Manaus. Uma ocorrência dessa dimensão exige respostas técnicas, completas e transparentes. Precisamos saber o que aconteceu, se os protocolos funcionaram e o que será corrigido para que a população esteja protegida em uma próxima emergência”, afirmou Amom.

Alertas e orientações divergentes

À Defesa Civil, o deputado solicita a apresentação de um relatório com toda a cronologia da resposta, a identificação das áreas potencialmente atingidas e os critérios utilizados para decidir sobre isolamento, evacuação ou suspensão de atividades.

O órgão também deverá informar se havia plano de contingência específico para acidentes químicos no Distrito Industrial, apresentar os resultados do monitoramento da dispersão do estireno e da qualidade do ar e explicar por que o alerta enviado diretamente aos celulares ocorreu somente na manhã de quinta-feira (16), várias horas depois do início da emergência.

Amom pede ainda esclarecimentos sobre as orientações divergentes transmitidas à população. Enquanto comunicado atribuído à Defesa Civil recomendava permanecer em locais abertos e manter portas e janelas abertas, a Prefeitura de Manaus orientava os moradores a permanecer em local protegido, fechar portas e janelas e impedir a entrada de ar externo. O parlamentar quer saber qual protocolo técnico deveria ter sido seguido e como ocorreu a coordenação entre Estado e Município.

A Defesa Civil também deverá explicar como atuou em conjunto com o Corpo de Bombeiros, a SES-AM, o Ipaam, a Prefeitura de Manaus e a empresa responsável. O ofício cobra uma avaliação posterior da resposta pública, incluindo possíveis atrasos, falhas de coordenação, insuficiências de preparo e problemas na comunicação de risco.

Acompanhamento das pessoas expostas

À SES-AM, Amom solicita informações consolidadas sobre os atendimentos, com dados sobre sintomas, classificação de risco, internações, altas, retornos e distribuição territorial dos casos, preservada a identidade dos pacientes.

A Secretaria deverá esclarecer se já existiam protocolos clínicos para exposição ao estireno ou a outros produtos químicos, quais orientações foram enviadas às unidades de saúde e se haverá acompanhamento das pessoas que possam apresentar efeitos posteriores.

A cobrança alcança especialmente trabalhadores do Distrito Industrial, moradores das áreas atingidas, estudantes, crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares. O deputado também pede informações sobre a investigação do óbito, eventuais novos atendimentos, reinternações e agravamentos registrados depois da última atualização.

O ofício solicita ainda a criação ou o aperfeiçoamento de um plano integrado de resposta sanitária a acidentes químicos, com unidades de referência, protocolos uniformes, vigilância epidemiológica, notificação dos casos e acompanhamento clínico pelo período tecnicamente recomendado.

Estrutura do Corpo de Bombeiros

Ao Corpo de Bombeiros, Amom solicita um relatório detalhado da operação, desde o primeiro chamado, com informações sobre o efetivo mobilizado, viaturas, equipamentos de proteção, instrumentos de detecção e monitoramento e eventual necessidade de apoio externo.

O parlamentar também quer saber se a corporação possui equipes especializadas e estrutura suficiente para atender simultaneamente uma emergência industrial de grande porte e as demais ocorrências da cidade.

A fiscalização inclui as condições de segurança da unidade industrial, a regularidade das vistorias, eventuais exigências pendentes, a adequação dos sistemas de alarme, resfriamento, contenção e abandono, além da avaliação do Plano de Atendimento a Emergências da empresa.

O documento ressalta que a apuração não parte de uma conclusão antecipada de falha dos bombeiros. A intenção é conhecer as condições reais enfrentadas pelas equipes e identificar necessidades de investimento em pessoal, capacitação, viaturas, equipamentos e unidades especializadas em produtos perigosos.

“Os profissionais que atuaram diretamente na ocorrência enfrentaram uma operação longa, complexa e de alto risco. Fiscalizar também significa identificar se eles receberam estrutura suficiente para trabalhar e quais investimentos precisam ser feitos. Improviso não pode ser o plano de emergência de uma cidade com um polo industrial desse tamanho”, declarou o deputado.

Amom solicitou que as respostas sejam acompanhadas de relatórios técnicos e operacionais, mapas de risco, resultados do monitoramento ambiental, protocolos clínicos, registros de alerta, documentos de vistoria e demais elementos que permitam comprovar as providências adotadas.