Amom Mandel vai aciona o Ministério Público após segundo caso de agressão contra adolescente autista em menos de uma semana

Desta vez, um estudante de 14 anos da Escola Municipal Raimundo Teodoro Botinelly Assumpção, localizada no bairro Cidade Nova, teve os cabelos e parte da sobrancelha raspada por colegas dentro das dependências da unidade

Manaus/AM – O deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) vai acionar o Ministério Público após mais um grave caso de agressão contra um adolescente com Transtorno do Espectro Autista (TEA) registrado nesta semana em Manaus. Desta vez, a vítima foi um estudante de 14 anos da Escola Municipal Raimundo Teodoro Botinelly Assumpção, localizada no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus.

De acordo com a mãe do adolescente, ele é vítima frequente de bullying e agressões por parte de colegas, tendo, inclusive, uma fratura no nariz, com total conivência da diretoria da unidade educacional. A agressão mais recente aconteceu na última quinta-feira (30/07).

Segundo a denúncia, o estudante foi agredido e teve os cabelos e parte da sobrancelha raspada dentro das dependências da escola. O caso foi registrado na Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (DEAAI).

“Não é o primeiro caso de agressão que o meu filho sofre nessa escola. Há vários casos. Crianças sendo ameaçadas e nenhuma providência é tomada. Eu me sinto indignada e desprotegida. Para mim, como mãe, não é fácil ter que passar pro isso, principalmente sendo uma mãe atípica. Para mim, meu filho está correndo risco aqui dentro dessa escola”, relatou a mãe do aluno agredido.

Para o parlamentar, apesar de toda e qualquer agressão contra pessoas autistas ser grave, o fato de esse caso ter ocorrido dentro de uma unidade educacional, que deveria acolher e proteger os mais vulneráveis, torna a situação inaceitável.

“É inadmissível que um estudante autista de apenas 14 anos tenha tido o nariz quebrado e sido submetido a agressões e bullying recorrentes dentro da própria escola, sem que houvesse a proteção que o Estado tem o dever de garantir. Se as denúncias se confirmarem, estaremos diante de uma omissão gravíssima, que não pode terminar em notas de esclarecimento ou promessas vazias. Os responsáveis precisam ser investigados e responder por seus atos. Nenhuma família deveria ter medo de enviar um filho à escola por receio de que ele volte para casa machucado”, declarou o parlamentar.

Denúncia resultou em afastamento

Este é o segundo caso de agressão contra adolescentes com TEA denunciado pelo deputado Amom Mandel só nesta semana.

Na última quarta-feira (29/07), o parlamentar denunciou ao Ministério Público uma ocorrência de violência contra um adolescente autista. O adulto envolvido foi identificado como o professor de jiu-jítsu Ângelo Carioca, que após a exposição do caso confessou o crime e foi afastado do cargo que ocupava na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

O enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes autistas é uma das prioridades do mandato de Amom na Câmara dos Deputados

Um exemplo desta atuação é o PL 937/2025. O Projeto propõe o aumento da pena para o crime de maus-tratos quando a vítima for uma pessoa autista ou quando a violência ocorrer no ambiente escolar. O objetivo é reconhecer a maior vulnerabilidade da vítima e impedir que agressões sejam tratadas como ocorrências de menor gravidade.

Amom também apresentou o PL 3549/2025, que amplia a proteção de crianças e adolescentes com deficiência, especialmente aqueles com Transtorno do Espectro Autista, dentro do ambiente escolar.

Outra proposta, o PL 2332/2025, determina a criação de protocolos para o manejo adequado de episódios envolvendo estudantes com deficiência e estabelece requisitos para a formação de professores e funcionários.

A agenda legislativa inclui ainda o PL 4426/2024, voltado ao combate à discriminação e à violência contra pessoas autistas, inclusive no ambiente digital; o PL 938/2025, que reforça a proibição de qualquer forma de discriminação contra pessoas com TEA; e o PL 7136/2025, que cria diretrizes para um protocolo de atendimento diferenciado em segurança pública.

“A violência contra pessoas autistas nunca pode ser normalizada, muito menos dentro de um espaço cuja missão é educar, acolher e proteger”, enfatizou o parlamentar.